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Valéria Bechara: “Olhar a metrópole com a lente ambiental e perspectiva histórica é certamente salvaguardar o que ela tem de melhor. Do contrário, poderemos comprometer não só o meio ambiente, como também a qualidade de vida das pessoas que vivem nela”

08 de setembro de 2017

A arquiteta Valéria Bechara, do escritório Jayme Lerner e responsável pelo eixo de Patrimônio Natural e Cultural do PDUI/RMRJ, fala sobre diagnósticos e soluções para os principais ativos ambientais e culturais da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

 

Quais foram os principais pontos do diagnóstico feito na sua área?

Sobre a questão ambiental, nós temos diversas geografias e ambientes que devem ser preservados, como é o caso da Serra do Mar e dos Maciços Litorâneos. Temos o ambiente urbano que apresenta dificuldades enormes com relação à qualidade de vida porque boa parte dele se dá em cima de baixadas e áreas impróprias à ocupação. Como exemplo, podemos citar a ocupação em morros que, em tempos de chuva, se transformam em áreas de risco e os constantes alagamentos nas áreas de baixada. Temos áreas ainda não ocupadas que tendem a um espraiamento enorme e a uma ocupação não desejada. Quer dizer, cuidar da questão ambiental urbana hoje, ter planos de manejos para o território, são obrigatoriedades. E temos também uma questão histórica, já que uma boa parte do berço do Brasil está aqui. Coisas que a gente não pode esquecer, perder, nem deixar para trás e que precisam ser valorizadas, de forma que o brasileiro consiga conhecer a sua própria história.

E para onde que as soluções apontam?

Primeiramente para uma integração na questão ambiental, que é sem fronteiras. Depois para a valorização dessa história que está escondida em muitos pedaços do território. As cidades do Rio de Janeiro e de Niterói vêm fazendo o trabalho espetacular em relação a posturas municipais. Mas os demais municípios precisam saber o que têm para que isso possa se converter num elemento de colaboração entre todos, possibilidade de criação de roteiros históricos e ambientais. E isso tem que fazer parte de um entendimento metropolitano. Cada município guarda um pedacinho. Transformar isso em uma grande narrativa pode ajudar a todos.

Qual a importância desse eixo dentro da estrutura do Plano?

Ele é primeiro. Olhar a metrópole com a lente ambiental e perspectiva histórica é certamente salvaguardar o que ela tem de melhor. Do contrário, poderemos comprometer não só o meio ambiente, como também a qualidade de vida das pessoas que vivem nela. O que temos aqui é singular, é único. É preciso aproveitar a história como lugar da consciência, do respeito, do entendimento de quem somos e do que queremos ser. Esse eixo é primeiro quando dá as condicionantes de uso e ocupação e é último quando ambiente e história se transformam em economia, em desenvolvimento, em selo de qualidade e de pertencimento e passam a ser vistos como ativos.

Quais os principais ativos do Rio de Janeiro neste sentido?

Do ponto de vista ambiental, temos todas as escalas, desde a preservação total até a questão ambiental urbana, que é sempre a mais antropizada e com maior número de problemas. Na questão histórica, desde antes de Cabral até hoje, passando por uma história única. Nenhum outro lugar do país reúne na sua história todos esses momentos pelos quais passamos aqui, que foi capital do país durante tanto tempo. Uma boa parte das nossas propostas apontam para a criação de paisagens culturais, que é quando a gente exatamente junta a questão histórica, a importância da ocupação e dos eventos históricos, com uma geografia que se exibe a todo instante, narrando a ocupação, os saberes, os fazeres. Está tudo ali. O nosso trabalho começa com a parte ambiental, perpassa a histórica e apresenta alguns caminhos e endereços para a criação de selos de paisagem cultural.

Na sua opinião, qual a importância de um Plano Estratégico para a Região Metropolitana do Rio?

A necessidade de um plano estratégico é real porque hoje se faz planejamento, diferentemente do que se fazia no passado. Há muitas questões abordadas no PDUI que não podem ser limitadas a fronteiras municipais, mas que pertencem a conjunto metropolitano. Por isso a necessidade de um Plano que direcione e una as ações. Eu não posso pensar na conservação ecológica até uma linha imaginária, até um determinado ponto, eu preciso pensá-la como um todo. Da mesma forma outras questões como saneamento e mobilidade. Falo principalmente do meu eixo no Plano, que foi o ambiental. A meu ver, cuidar do meio ambiente é uma questão imperativa que influencia a maneira com a qual todos os outros eixos de planejamento e todos os municípios integrantes da Região Metropolitana olham para o território. A visão tem que ser bem mais ampla, bem como as ações propostas.

 

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